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5 de maio de 2011

Os cabeças de Coco

Será que o Partido Socialista (ou o PM) ainda não percebeu que a lógica destrutiva protagonizada por Silva Pereira, José Lello (o do foleiro) Francisco Assis (que tem vindo a revelar uma dupla personalidade conforme o contexto da intervenção ou de debate, não se percebendo ainda quando prevalece a doutrina ou o frete) e Vitalino Canas, entre outros, já foi desconstruída  pela generalidade dos portugueses, percebendo estes agora claramente os seus propósitos?

PS: E a juntar aos "cabeças de coco" (lembram-se do barulho oco que fazem quando batem uns nos outros)  ainda aparece agora uma personagem irreal que dá pelo nome de Basílio Horta?

18 de outubro de 2010

O Engodo


Finalmente…o grande engodo comunicacional que Portugal vive há mais de uma década está prestes a rebentar. A bolha vai estilhaçar tudo e todos mas os principais culpados são todos os portugueses, todos nós. A Democracia plena constrói-se na participação, não na informação ou na comunicação. Mais acesso, mais informação, mais liberdade de expressão, não significa melhor informação, mas, via da regra, mais espaço para manipulação. O espectáculo, o mediatismo, o aqui a agora, destroem o espaço público, destroem a capacidade de mediação, de o indivíduo racionalizar e exploram a sua vulnerabilidade. A “verdade dos media” é a verdade tout court. A política já não vive fora do mediatismo, até porque esse era incortornável, (mas não insubstituível). Os políticos não conhecem os eleitores, os eleitores não sabem quem são os políticos. Apreendem apenas a realidade do grande ecrã e o filtro não é necessariamente isento. Da política espectáculo já estamos muito próximo do espectáculo da política. Tudo se constrói em torno do espaço mediático, do palco, como se de um live show se tratasse. E assim, em questões menores, discussões estéreis, chantagens diplomáticas, proliferação de análises e analistas que tentam interpretar o que os políticos dizem – pois estes já não falam no espaço comum em que os cidadãos os possam compreender – se vão escondendo as realidades ou melhor se têm vindo a esconder as realidades deste país, o seu atraso estrutural, a incapacidade ou não vontade de controlar o “monstro Estado no seu voraz apetite tão necessário para o clientismo político”. Porque Portugal é um doente endémico. Não foi esta crise que colocou o País em coma, mas sim o estado debilitado da Nação que COMUNICACIONALMENTE aparentava uma saúde de ferro.
Em entrevista recente à TSF, Medina Carreira não pôs o dedo na ferida, antes enfiou o braço até ao ombro como se do parto de uma bezerra se tratasse: «o primeiro-ministro não tem estratégia nenhuma senão andar a fazer espectáculo e ir conciliando as circunstâncias para ver se vai durando». Mas não é só o primeiro-ministro. São os políticos, são os socialistas, são as máquinas de assessores, consultores, analistas e agências de comunicação que gravitam à volta do sistema. Não significa isto que, nesta panóplia imensa, não exista gente séria e preocupada. Só que a teia foi bem urdida e rompê-la não é uma tarefa fácil.
Pode ser que muitos outros Medinas Carreira consigam finalmente romper o engodo comunicacional em que temos vivido há mais de uma década.
É que agora já não é tempo de falar, é tempo de agir.
Crônicas da Frontline

16 de setembro de 2009

Bloco rachado


O BE faz lembrar aquelas velhas telas quando o verniz começa a estalar e descobre-se que, afinal, havia uma outra pintura por detrás que tinha sido habilmente escondida com uma cena idílica.
Foi Sócrates que, no debate com Francisco Louça, começou a trazer à tona a verdadeira ideologia de radicalismo político que se esconde no discurso fácil dos bloquistas. Veja-se agora o despropósito de ex-filiado Sá Fernandes depois da tomada de posição de José Miguel Júdice, em entrevista ao Expresso, sobre a candidatura socialista à Câmara de Lisboa.
Começa a ganhar corpo o isolamento do BE e também António Costa tem mais um espinho para se descartar…

8 de setembro de 2009

Caiu a capa a Louçã

O debate entre José Sócrates e Francisco Louçã teve uma virtude primeira. O Primeiro-ministro conseguiu arrastar Louçã para a face oculta do Bloco de Esquerda: o verdadeiro pensamento ideológico de radicalismo político completamente desajustado da realidade democrática de uma Europa moderna que os Bloquistas tentam, a todo o custo, esconder.
O discurso “fácil” de Louçã (e mais dois ou três protagonistas do BE que sustentam a visibilidade do partido) alicerçado apenas na esfera comunicacional e sem necessidade de sustentação explicativa da sua base ideológica tem sido um modus operandi de sucesso. Aliás compreende-se a lógica discursiva de Louçã: tudo é articulado na exploração de casos pontuais e depois Louçã parte para a extrapolação. Logo as pessoas não precisam de procurar nada mais porque as respostas são dadas pelo condicionalismo criado por cada caso. É assim no Parlamento, é assim na televisão, é assim na rua. Ou era! Porque agora Louçã vai ter de começar a justificar tudo o que diz. E então vamos ver quantos portugueses se continuarão a rever neste radicalismo político.

27 de julho de 2009

Santana 2 - Costa 0


Já tinha deixado aqui o aviso. O desnorte parece estar a atingir o PS de Lisboa. O vídeo de Costa a desmentir Santana foi um erro em duas frentes. Primeiro quis fazer uso da propaganda para combater algo que Pedro Santana Lopes usou inteligentemente, embora no mesmo sentido de passar mensagens políticas, em entrevistas e declarações ao media. Logo o palco de combate teria de ser nesses mesmos media (um palco de maior credibilidade) e não através do recurso a instrumentos básicos de propaganda. A ineficácia desta táctica estava à vista. Tanto estava que Santana reagiu no imediato a empurrar o adversário para a mesma armadilha. E este tão bem escorregou que foi à pressa corrigir o vídeo em vez de pura e simplemente o anular (ver Expresso).

Para os lisboetas a mensagem começa a ficar clara: que credibilidade merece uma candidatura que desmente as suas próprias afirmações? Que credibilidade merece uma candidatura que não faz a mínima ideia do que o seu candidato diz publicamente? É que a parte cortada no vídeo é a que desmente o que Santana Lopes diz que afinal tinha sido exactamente o mesmo que António Costa tinha dito em declarações à televisão.

24 de julho de 2009

Instrumentos da ineficácia


Ainda há coisas que nos surpreendem vindas de onde vêm. Ou talvez não. Deparei com um vídeo no Sapo onde alegadamente António Costa denuncia as mentiras de Santana Lopes. Não percebi nem o sentido, nem o propósito, mas se é um instrumento de comunicação política orientado dentro da sua campanha, a sua eficácia é próxima do nulo. O vídeo não é mais do que uma versão contrária daquilo a que se propõe denunciar: a alegada política de propaganda de Santana Lopes. Das duas uma: ou o nervosismo já fala mais alto do que a razão ou anda alguém a dar palpites sobre matérias cuja competência também é, por assim dizer, próxima do nulo.

Pedro Santana Lopes é um político por excelência e um homem inteligente. António Costa também. O Palco para a disputa eleitoral não deve ser este. A candidatura de António Costa que não se esqueça que os lisboetas exigem respeito. Uma falha nesta matéria pode ser fatal.

3 de julho de 2009

De vergonha em vergonha...


Mais vergonhoso que o acto "solitário" do Ministro da Economia é a vergonha da disputa entre PCP e BE na reivindicação dos destinatários do referido acto, como forma de um ensaio de protagonismo sobre quem seria responsável pela sua demissão.
Afinal, talvez o próprio PM tenha razão quando situa a acção política à sua esquerda numa redutora luta de protagonismo para conquista eleitoral caracterizada por um confrangedor vazio de ideias e propostas.
Mas mais preocupante é quando, mesmo assim, essa mesma esquerda consegue alguma expressão eleitoral.

2 de maio de 2009

Perestroika adiada


Podia passar por mais um pequeno episódio isolado de "fervor político", mas não. Se há alguma ilação a tirar sobre o que se passou com Vital Moreira nas comemorações do 1º de Maio é que o Partido Comunista Português ainda não está preparado para viver em DEMOCRACIA. Aliás não deixa de ser irónico quando se assinalam os 35 anos do 25 de Abril, da suprema conquista da liberdade em Portugal e se percebe que a liberdade de escolha, de credo, não faz parte da doutrina comunista. Essa mesma liberdade que não é espelhada na representatividade da CGTP. Cada vezes é mais visível o controlo de desespero que o PCP tenta manter sobre a central sindical como ficou bem claro que Carvalho da Silva (na sua infeliz declaração culpando, mais uma vez a crise) é apenas uma "caixa de ressonância" desse mesmo partido político. Ninguém ganha com este tipo de episódios, mas há quem perca muito. E perdem sobretudo os milhares de trabalhadores que se julgam representados numa central sindical que pugne pela defesa dos seus interesses. Afinal, parece que outros valores de natureza político-partidária mais alto se levantam.

A grande conquista do 25 de Abril afinal não está realizada: a maturidade cultural de um povo que se reflicta na sua vivência política e o afastamento de práticas e pessoas que perfilham correntes de pensamento incompatíveis com essa mesma democracia. A ser assim é certo que a actual CGTP ficaria reduzida a uma expressão sem significado e o PCP não teria mais espaço para adiar a sua Perestroika.

12 de abril de 2009

Uma pérola da Comunicação Política


O meu querido amigo Carlos de Sousa - uma das pessoas que mais prezo pela sua vasta experiência nesta área da Comunicão - perguntava-me outro dia, quando me enviou esta pérola da comunicação política, que aqui reproduzo, se se trataria de "Torreirismo político ou demência"?

Convictamente as duas únicas certezas que tenho é que se este senhor ganhar o que quer que seja temos de rever muita da nossa doutrina em termos de comunicação política e temos de fazer um shutdown a algumas zonas de país. Como dizia o senhor meu Pai "A ignorância é mãe de todos os crimes" e o seguidismo de doutrina primário basedo no indivíduo sem a catalização da razão é comum nas sociedades de grande défice culural. Está tudo dito...

6 de novembro de 2008

Intoxicar Perigosamente


“Enquanto dirigente do PS condeno veementemente que, qualquer que seja o nível de descortesia de um deputado, esse deputado seja coarctado nos seus direitos e no seu direito básico à imunidade parlamentar”, afirmou o ministro Santos Silva à Lusa a propósito do recente incidente com o deputado PND na Assembleia Legislativa da Madeira.
Mesmo que ostente símbolos nazis na “salutar retórica político parlamentar” o que, em Portugal, é um crime punível por lei.
Ou seja, o que o ministro diz é que no debate político vale tudo, desde que seja no Parlamento claro! Ou não seja este senhor Ministro dos Assuntos Parlamentares.
Mais uma vez impera a necessidade comunicacional de criar ruído, de ocupar espaço, a tudo o custo sem medir consequências. Sem analisar os precedentes perigosos que se abrem. Sem discernir o forte contributo que este senhores dão para a descredibilização da classe politica. Não só os que os cometem, mas sobretudo os que os sancionam.
Para já não falar na legitimidade. Um exemplo: com que legitimidade se insurgem os poderes públicos contra um cartaz do PNR alegadamente xenófobo quando avalizam a utilização de símbolos nazis para insultar o presidente de um Governo Regional da República Portuguesa?

5 de novembro de 2008

Intoxicar - Intoxicar - Intoxicar


Cada vez se torna mais claro que a propagada eficácia comunicacional do Governo é afinal uma política de intoxicação bem sucedida. Mas a precipitação de tomadas de posição pela necessidade de ocupar apenas espaço comunicacional (que a oposição tem de uma forma confrangedora deixado livre) sem ser avaliada (e ponderada) uma correcta construção de argumentos está a abrir precedentes perigosos.
Atente-se ao contributo hoje dado pelo ministro Teixeira dos Santos ao comentar as falhas de supervisão apontadas no caso BPN: “O que falhou não foi o facto de o Banco de Portugal não ter feito o que devia ter feito, foi alguém ter feito o que não devia ter feito”.
Imagine-se, por exemplo, amanhã as autoridades de segurança negligenciarem a sua missão e sermos confrontados com uma problema sério no País. O álibi está construído: os terroristas é que não deviam ter feito o atentado…
Mas mais confrangedor é o silêncio de todos e o sentimento de impunidade cada vez mais reflectido na esfera da Propaganda.

15 de outubro de 2008

O Day After


Escrevo estas linhas e ainda Nuno Morais Sarmento não acabou a sua entrevista ao Dia D na SIC notícias. A primeira imagem que me veio à mente foi daquelas noites de arromba em que todos dizíamos agora o que vai custar é o Day After. De facto, Morais Sarmento não foi ao dia D foi ao Day After e pouco se aproveitou da sua ressaca televisiva.

Apenas alguns pontos a reter:

É notória a incapacidade do PSD em construir figuras de alicerce para veicular a sua mensagem política;

É notória a incapacidade do PSD em ter um discurso alinhado numa estratégia clara de comunicação política. A confusão de argumentos (do ponto de vista da sua construção e legitimação) gera dissonância e amplifica um dos efeitos mais perigosos (mas pouco debatido) da Comunicação, o da falsa propaganda.
Porque a Propaganda (como a definimos hoje) tem pleno enquadramento na acção política (embora seja matéria discutível) mas carece sempre de uma base de sustentação programática. Nem isto o PSD consegue fazer;

Percebe-se o que Nuno Morais Sarmento tentou fazer: introduzir uma credibilidade protagonizada e de protagonista, ensaiando um discurso de responsabilidade política no sentido lato. Uma estratégia apontada em dois eixos de actuação que visa, por um lado, retomar um discurso de intervenção acima das meras questões partidárias (um modelo bem ensaiado por Cavaco Silva) e, por outro, esconder a incapacidade da sua família política em dar respostas concretas em matéria de políticas alternativas à actual governação.
Tudo isto não faz sentido a um ano das eleições quando para trás ficaram três anos de silêncio, por inacção ou porque o espaço de intervenção e comunicação foi habilmente ocupado por outros;

Morais Sarmento parece hoje pouco mais do que um paladino à procura da “virgindade perdida”. De facto, como bem referiu, Portugal evolui de uma forma extraordinária nestes últimos 30 anos. Mas os portugueses também…por isso já não há espaço para “Conversas em Família”.

3 de outubro de 2008

Resgate fiscal ou resgate comunicacional?


Os comunicados da DGCI não param de me surpreender e contribuir para aumentar o sentimento de que a estratégia de comunicação da máquina fiscal (leia-se Estado/Governo) é apenas uma ferramenta propagandística de carácter intimidatório contra o contribuinte.
Atente-se ao comunicado divulgado hoje sobre a Operação Resgate Fiscal, através do qual ficamos, entre outras coisas, a saber que a DGCI recuperou 54 031 milhões de euros, notificou 4672 empresas , instaurou 305 processos crime e emitiu 198 047 emails a 45 667 contribuintes.
Que relevância tem este tipo de informação para o contribuinte? Então que pressupostos estão em jogo? Tentar passar uma imagem de competência de um organismo público em que a relação dominante com os cidadãos é conflituosa? Servir de almofada de conforto para legitimação de discurso político de eficácia fiscal por parte do Governo? Ou é apenas uma ferramenta propagandística de carácter intimidatório ao contribuinte?
Porque bases para um exercício responsável, assente numa comunicação transparente e até pedagógica, não encontro nenhumas.
A democracia não se constrói apenas com base no livre exercício do direito de voto. É fundamental a relação (de respeito) do Estado com o cidadão. E, neste domínio, a Comunicação assume um papel fundamental.

16 de setembro de 2008

Les Uns e les Autres

Reflexões sobre as mensagens políticas das últimas semanas:

Les Uns - O Referêncial
O Presidente da República

Les Petits Uns - O mais próximo do Real
O Primeiro-ministro

Les Autres - O virtual, cuja acção se esgota na procura de espaço de intervenção mediática
Marques Mendes regressa com um livro um ano depois;
Ferreira Leite e os...40 dias de silêncio
Luis Filipe Meneses e os desafiantes debates públicos;
Morais Sarmento versus...?
Só para falar em alguns...

Les Uns pertencem à esfera da Comunicação.
Les Autres à esfera da Propaganda. O País tem, cada vez mais, dificuldade em perceber e é obrigado a contentar-se com o que tem mais próximo do Real. Será que a culpa é só dos políticos?

12 de setembro de 2008

Propaganda


O Leonel Moura publicou hoje no Jornal de Negócios um texto que li com interesse sobre Política e Propaganda. Confesso que, para mim, o tema é ambivalente. Só faz sentido enquadrá-lo na análise histórica. Nas Democracias ocidentais o plano dominante tem de ser o da Comunicação. Isto é sobretudo um traço de maturidade cultural.

A este propósito repesquei um excerto do Mein Kamfp, de Adolfo Hitler: a capacidade de compreensão das grandes massas humanas é limitada e o seu entendimento muito restrito; em compensação a sua falta de memória é maiúscula. Não sendo a propaganda uma necessidade em si mesma … deve atrair a atenção da multidão e não instruir os que tem conhecimentos científicos…e, portanto, a sua acção deve sempre fazer apelo ao sentimento e só muito pouco à razão.

Não só me preocupa como ainda hoje se mantém actual em Portugal mas preocupa-me sobretudo como se mantém perigosamente presente na acção de alguns analistas e comentadores políticos que são ouvidos neste País.

10 de abril de 2008

Are you talking to me?

Hoje, a fórmula política mais recorrente para se falar de Portugal é, sensu lato, o atraso estrutural do país. Ninguém escapa ileso à “bolha comunicacional” que, a este nível, contamina o nosso quotidiano. E apesar da carga política, os protagonistas são oriundos de todos os quadrantes da sociedade, de todos os credos, de todo o espectro social e cultural. Mas é nesta estranha (ou talvez não) dinâmica que reside a sua face mais obscura, de ela própria no seu devir esconder uma realidade bem mais preocupante: a do atraso estrutural ser efectivamente, na sua génese, nada mais que um profundo abismo cultural que se apoderou deste canto lusitano.
Vem isto a propósito desta bolha comunicacional, desta ânsia que se instalou em todos nós de comunicar, independente do que se comunica ou mesmo da pertinente necessidade de o fazer. E esta voracidade, como o napalm, queima tudo, mas veio sobretudo criar um conjunto de novos mas perigosos paradigmas que invertem toda a lógica da Galáxia de Guttenberg.
Are you talking to me? Será talvez a única pergunta racional numa sociedade desagregada e desestruturada do ponto de vista comunicacional, quer nos seus actores, quer nos seus valores, e compelida apenas por uma lógica mecanicista de atingir alvos e públicos a qualquer custo, em qualquer lugar.
Razões são muitas, mas uma enferma logo na base. Se olharmos para Portugal percebemos que, no seu movimento anacrónico no tempo, só há muitos poucos anos o país despertou para todas as novas envolventes comunicacionais, que já conduziam uma Europa mais desenvolvida para a realidade da sociedade da informação. E este despertar começou naturalmente por atingir as áreas de maior competitividade nos domínios económicos e empresarias, até então excessivamente dominados pela oligarquia do marketing e afins, agora incapazes de dar resposta a novas necessidades do ponto de vista Corporativo, Institucional, da Responsabilidade Social, da própria Gestão da Reputação.
Durante anos fomos assistindo ao cimentar desta nova realidade, sobretudo com os tecidos económicos e empresariais a reequacionarem as suas orgânicas internas e estruturas de Poder, enquanto um número, embora ainda ínfimo, de profissionais de comunicação começava finalmente a ter o seu espaço de actuação.
Mas foi precisamente aqui que o processo falhou. E falhou por duas razões de natureza estrutural: primeiro porque estes profissionais se limitaram e reduziram a um papel de interface, nomeadamente com os Media, e nunca foram envolvidos ao mais alto nível nos ciclos de decisão das estruturas; em segundo, e por esta anterior razão, porque nível mais básico da decisão em comunicação – o que se comunica e não como se comunica – foi deixado ao critério de quem não estava naturalmente preparado para gerir esses domínios.
E de repente o monstro tornou-se voraz, porque tudo é comunicável. Mas não só voraz, ganhou vida própria. Até os actores políticos sucumbiram a esta voracidade. Há muitas décadas atrás, um modelo semelhante teve sucesso a sustentar as mais hediondas ditaduras. Chamava-se Propaganda. Hoje só pode ter sucesso em sociedades estruturalmente (leia-se culturalmente) atrasadas.
A ameaça é real, mas, aos costumes, os protagonistas (gestores, políticos, empresários, consultores, jornalistas…) continuam a dizer nada. Poucas ainda são as vozes a exigir uma verdadeira revolução na Gestão da Comunicação.
Crônicas da Frontline