Mostrar mensagens com a etiqueta Política. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Política. Mostrar todas as mensagens

19 de outubro de 2011

Começam os disparates


Característica transversal que todas as crises nos trazem é o chorrilho de disparates com que somos diariamente confrontados.Esta grave crise financeira já revelou que não será excepção, antes pelo contrário será mesmo pródiga nesta matéria.

Atenda-se às palavras de João Salgueiro no Congresso dos Economistas, em Lisboa - personagem aliás a quem este comportamento não tem sido estranho nos últimos anos - reproduzidas no Diário Económico:

João Salgueiro aconselhou os portugueses a "poupar mais", referindo que é possível com os salários actuais, porque os chineses também o fazem.

E não reproduzo aqui uma afirmação descontextualizada. Leiam o resto. João Salgueiro é mais um dos contornos salientes da grave crise geracional que atravessamos, perante uma geração (a sua) que teima em se agarrar ao Poder e que neste últimos longos anos nenhum benefício lhes é conhecido em prol da Democracia. Aliás, a propósito deste personagem que o diga Pedro Santana Lopes.

14 de outubro de 2011

"Estupidamente" esclarecidos - Episódio II

Basta reter algumas declarações de hoje de responsáveis europeus (embora por prudência, como seria de prever, ainda só falam porta-vozes) para se perceber o alcance do que escrevi no post anterior.

Diz  Amadeu Altafaj, o porta-voz da Comissão Europeia: «É verdade que este é um exercício muito desafiante e que factos recentes colocam ainda mais pressão em termos de concretização dos objectivos de equilíbrio, mas não temos qualquer dúvida sobre a determinação do Governo em fazer o que for preciso».

É um desafio desafiante porque os responsáveis europeus não fazem a miníma ideia do que resulta ou resultará da aplicação do "modelo de resgate com formatação UE", suas consequências económicas e sociais.

A única permissa razoavelmente previsível é o de acautelar o retorno e respectivo juro do capital de resgate. E o conforto fica todo na determinação que reconhecem ao governo. É apenas dessa determinação que precisam para a sua salvação. Pergunto, no entanto, se este porta-voz não terá falado à revelia de Durão Barroso e se o seu HMV não será lá mais para os lados da ex-RDA agora chancelada.

Um governo "estupidamente" esclarecido


A face menos conhecida do Primeiro-ministro Passos Coelho é a sua capacidade de doutrinação política, se é que a expressão existe e que ontem revelou o seu lado pujante. A nova doutrina de acção da sua equipa é a da governação "estupidamente" esclarecida. O problema é que não é mal intencionada, é convicta e assumida como o caminho correcto para salvar Portugal. Passos Coelho é uma pessoa idónea e séria, já o provou, mas está rodeado de imbecis no que respeita a matéria económica. Qualquer estudante de economia percebe que este caminho é o limiar do suicídio para a recuperação económica. Porque se  sente então o Primeiro-ministro como um homem no trilho certo?  Primeiro porque tem um Ministro das Finanças com "Formatação UE". Depois porque tem uma equipa económica fraca e desenquadrada da realidade. Terceiro, porque as instâncias internacionais validam o caminho que Passos segue e que é o único que o FMI e o BCE conhecem. E daqui resulta uma acção política supostamente esclarecida mas que acaba por redundar numa vertente "estupidamente" esclarecida.

Esta semana Cavaco Silva ensaiou um discurso duro contra o status quo europeu e deixou um claro aviso de que as metas só seriam atingíveis em condições de acelerada desagregação económica e social. Durão Barroso, nas suas últimas intervenções, parece ter percebido (perante uma Comissão Europeia que começa a ser relegada para segundo plano pelo nefasto eixo Paris-Bona) que este não é o caminho e curiosamente aproxima o seu pensamento de muitas das ideias defendidas pela esquerda europeia e não pelos seus apoiantes directos, nomeadamente o PPE.

Está na cara de qualquer pessoa (apenas) esclarecida que a prioridade deste governo teria de ser renegociar, em primeiro plano, o prazo de aplicação do programa da Troika, tanto mais que a capacidade e a manifesta vontade de Portugal atingir e cumprir as suas metas já ficou plenamente demonstrada nestes primeiros 120 dias de governação PSD.

Mas, na verdade, o Governo optou por se vexar aos superiores interesses de "uma Europa" pouco esclarecida no caminho que quer seguir ou então "estupidamente" esclarecida sobre o caminho que alguns querem que seja seguido.
Passos abriu caminho para uma profunda fractura no tecido social em Portugal.

Precisamos de um Primeiro-ministro esclarecido e não de um governante "estupidamente" esclarecido, apesar da seriedade, empenho e determinação que os portugueses lhe reconhecem.
Passos ainda está a tempo... de Mudar!

17 de agosto de 2011

As Amibas

Na sua definição mais prosaica, a Amiba é um protozoário do filo rizópodes, cujos elementos têm a possibilidade de emitir projecções corporais denominadas pseudópodes que são precisamente utilizados para a sua deslocação e alimentação. Mas a característica mais interessante destes pseudópodes será talvez o facto de provocarem uma constante alteração da morfologia do corpo deste organismo.

Esta amiba – a mais conhecida é a Proteus – é voraz mas inócua. Conhecemo-la, sabemos onde está, mesmo com esta sua capacidade de alterar a morfologia do seu corpo. Mas há outras amibas, por esta mesma capacidade de alteração morfológica (que neste caso passaremos a denominar de alteração ideológica) tem uma capacidade inata de se adaptarem às mudanças sociais e políticas, de ciclos, de regimes, perpetuando-se na paratização dos sistemas. Estas amibas, como as suas congéneres protozoárias dão-se bem nos ambientes pantanosos, no lodo, nos registos de incerteza, fazendo-se valer dessa extraordinária adaptabilidade morfológico-ideológica.

Mas, contrariamente ao que se pode pensar a sua génese não é parasitária. Elas não invadiram o sistema com uma pura e simples lógica de destruição ou perpetuação do seu ciclo de vida. Elas fazem parte do próprio sistema. Mais do que orgânica, a questão é cultural. Os sistemas perpetuam-se através delas e vice-versa.

É nesta lógica que se pode (e deve) entender a razoabilidade de algumas intenções que Passos Coelho tem expressado publicamente com de exigir uma avaliação de todas as nomeações feitas pelo antigo governo. Não se trata de avaliar para expurgar mas sim para perceber a lógica do sistema, de como ele permite absorver esta extraordinária quantidade de amibas. Até porque o próprio Primeiro-ministro sabe que o seu aparelho também tem, ao longo dos anos, sido responsável pelo alimentar deste incontrolável status infeccioso.

Portugal é hoje uma amiba gigante, Na política, na Administração Pública, Nas Forças Armadas (veja-se, por exemplo, o que se passou com a nomeação do mais recente Chefe de Estado do ramo), na Polícia, na Magistratura, onde quer que se vá.

Passos Coelho parece estar na loca certa. A mudança só pode ser geracional.
Crônicas da Frontline

15 de junho de 2011

A Peste

Aos poucos o país e os portugueses vão-se libertando do manto pestilento que caiu sobre terras lusas nos últimos meses. E esta pestilência em nada respeita à alternância política quer o Portugal conheceu no passado dia 6 de Junho. Quem saiu, quem entrou, forma e são portugueses e, pese embora a avaliação política que se faça de quem nos governou nestes últimos seis anos, ninguém porá em causa o seu sentido de Estado ou defesa intransigente dos valores e da soberania nacional.

A peste a que me refiro veio, aliás como sempre, do exterior. Ventos fétidos daqueles que quiseram precisamente interferir nessa soberania, não por força ou imposição da sua capacidade de auxiliar, mas sim pela determinação que colocaram em tornar esse auxílio numa forma de subjugação. Aí, Sócrates falhou e este será porventura o maior desfio que Passos Coelho terá de enfrentar.

A Alemanha, com a senhora Merkel à cabeça, foi a mandatária daquilo que seria uma forma ensaiada de “colonialismo de modelos sistémicos de governação” carimbados em Berlim e destinados a salvar toda uma estratégia de política federalista ensaiada no seio de uma União Europeia que cada vez se afasta mais desse mesmo conceito de união e se vê remetida para as formas primárias da sua génese, de aliança económica, essa sim com provas dadas. E à cabeça do movimento surge um estranho personagem chamado Durão Barroso, cada vez carregando mais o semblante de carrasco do seu próprio país.

Esta pestilência, aparentemente desgovernada, mas que foi cirurgicamente orquestrada e governada do ponto de vista comunicacional, deixou-nos à beira da catástrofe pela exacerbação de vulnerabilidade com que se tentou mascarar Portugal, deixando o país à mercê dos predadores, muitos deles sentados no imaculado sistema financeiro alemão.

Como escreveu Camus no seu romance A Peste, “…ao ouvir os gritos de alegria que subiam da cidade, Rieux lembrava-se que esta alegria estava sempre ameaçada. Porque ele sabia o que esta multidão eufórica ignorava e se pode ler nos livros: o bacilo da peste não morre nem desaparece nunca, pode ficar dezenas de anos adormecido nos móveis, na roupa, espera pacientemente nos quartos, nas caves, nas malas, nos lenços e na papelada. E sabia também que viria talvez o dia em que, para desgraça e ensinamento dos homens, a peste acordaria os seus ratos e os mandaria morrer numa cidade feliz”.

Este será talvez o grande ensinamento a retirar para o futuro.

PS: A fechar, a eurodeputada Ana Gomes marcou mais um episódio triste da jovem democracia portuguesa, aliás como já o tinha tentado com o Presidente da República, Cavaco Silva. É a personificação de uma geração política que já não faz falta ao País.
Crônicas da Frontline

5 de maio de 2011

Os cabeças de Coco

Será que o Partido Socialista (ou o PM) ainda não percebeu que a lógica destrutiva protagonizada por Silva Pereira, José Lello (o do foleiro) Francisco Assis (que tem vindo a revelar uma dupla personalidade conforme o contexto da intervenção ou de debate, não se percebendo ainda quando prevalece a doutrina ou o frete) e Vitalino Canas, entre outros, já foi desconstruída  pela generalidade dos portugueses, percebendo estes agora claramente os seus propósitos?

PS: E a juntar aos "cabeças de coco" (lembram-se do barulho oco que fazem quando batem uns nos outros)  ainda aparece agora uma personagem irreal que dá pelo nome de Basílio Horta?

27 de abril de 2011

Incontornável mediatismo

Santana Lopes e Carrilho, cá um a seu jeito puseram o dedo na ferida. Atenda-se ao que PSL diz hoje no Económico quando compara Sócrates a Tony Carreira (http://economico.sapo.pt/noticias/este-primeiroministro-e-como-o-tony-carreira_116798.html) e ao que refere Carrilho quando classifica a entrevista do Primeiro-ministro à TVI24 de "pura propaganda política" (http://economico.sapo.pt/noticias/socrates-esta-na-pura-propaganda-politica_116800.html).

Mas Carrilho vai mais longe e mais fundo quando afirma que "a situação só demonstra neste momento que "a eficácia da campanha de comunicação do PS de Sócrates só tem equivalente na ineficácia e na desorientação do PSD" que "cai também em todas as armadilhas".

Isto é o que o PSD (incompreensivelmente) ainda não percebeu. Ineficácia e desorientação numa total ausência estratégica no plano da Comunicação. O PSD continua refém de uma actuação táctica (e nós sabemos porquê).  Passos Coelho está esquecido que em Política a comunicação obedece a três regras simples: Estratégia (que sustente a actuação a nível táctico) Iniciativa (que roube o espaço de intervenção) e uma clara definição dos targets de comunicação (que permita adequar conteúdos, formatar referenciais,  adequar contextos e estar apto a enfrentar todas as circunstâncias). É básico. E um último conselho: falar para quem importa, os eleitores, o povo, os portugueses.

Para inglês ver... lamentável

Quando o País precisa de mobilizar a sociedade civil e alguns portugueses começam finalmente a perceber que, para além da Educação e da extinção das elites, este é um dos nossos mais graves problemas estruturais, aparecem umas criaturas sedentes de um novo protagonismo com iniciativas como apresentar uma queixa-crime contra o Primeiro-ministro porque deu tolerância na quinta-feira à tarde anterior à Páscoa. Veja-se a notícia do Público: http://www.publico.pt/Política/advogado-apresentou-denuncia-no-mp-contra-socrates-por-causa-da-tolerancia-de-ponto_1491550

Há que separar claramente os planos de actuação e não andar aqui a ensaiar números mediáticos que nada mais revelam do que a mediocridade de pensamento mascarada com "uma grande dimensão de responsabilidade ética" com que estão questões são encaradas.

22 de março de 2011

Bruxelas recua e deixa PEC em aberto

Ao contrário do que se possa pensar parece haver algumas cabeças esclarecidas em Bruxelas. Este recuo não é  para dar folga a Sócrates. É sim abrir a porta para a entrada de um novo Governo em Portugal, com legitimidade política e social.
Este precedente abre também um horizonte de preocupação para a Alemanha que, cada vez mais, vai ver a sua posição contestada, a começar no seio da própria União Europeia.
É interessante constatar que esta declaração é feita por Amadeu Altafaj, o porta voz do comissário Olli Rehn, que ontem tinha concordado com o presidente do Eurogrupo, Jean Claude Juncker, ao "não ver qualquer razão que pudesse fazer com que mudássemos o programa" português, conforme vem reproduzido na imprensa, nomeadamente no Económico.

10 de março de 2011

Finalmente... um Presidente


Sobre Cavaco II está tudo dito. Finalmente temos um presidente. Aliás, Pedro Santos Guerreiro deixa no Jornal de Negócios uma notável leitura sobre esta matéria no seu texto "Cavaco e uma emoção de censura".

Mas há uma passagem do discurso de posse do Presidente que assume uma relevância extraordinária quando afirma que "muitos dos nossos agentes políticos não conhecem o país real, só conhecem um país virtual e mediático".
Esta verdade escondida não se aplica apenas aos políticos e será talvez o maior flagelo que as nossa sociedades vão enfrentar no século XXI. Recordo aqui apenas um dos textos em que me debrucei sobre o assunto, o Engodo.

Curioso também o registo (Comunicacional) de pânico mal ensaiado do Partido Socialista: Francisco Assis, Capoulas Santos, Ana Gomes, Carlos César.

Curiosa também a cobertura mediática da imprensa espanhola a ensaiar um registo (igualmente Comunicacional) de pânico com o que aconteceu em Portugal. Prova que também a fórmula Zapatero está esgotada.



12 de janeiro de 2011

Total Irresponsabilidade

"Nós não podemos de facto excluir a possibilidade de ocorrer uma crise grave em Portugal, não apenas no plano económico e no plano social, mas também no plano político”.

Cavaco Silva, numa intervenção de campanha na Guarda.

Uma intervenção desta natureza e nesta altura é de total irresponsabilidade, mesmo que Cavaco a tenha tentado secundar com uma explicação, dizendo que  é necessário ter na Presidência da República alguém com experiência para lidar com “situações complexas, muito difíceis e situações que neste momento ninguém consegue prever”.


Quem eventualmente tem responsabilidades na estratégia de comunicação política de Cavaco anda a navegar em águas turvas. Cavaco tem de afirmar as suas competências per si e não com recurso a referências negativos para conseguir afirmar a diferença. Não é necessária a "ameaça do cenário catastrófico" para afirmar que Cavaco é que o pode enfrentar com tranquilidade para os portugueses.
É que, no registo de intranquilidade quotidiana e permanente em que vivemos, o sinal retido neste tipo de mensagens é que essa intranquilidade ainda vai piorar. É esse o sinal que Cavaco está a dar ao país. É psicologia básica. O resto são estratégias políticas demasiado elaboradas que o povo não capta. Resta saber a quem as estão a dirigir os estrategas do candidato presidencial. Porque aos portugueses não é com certeza...

10 de dezembro de 2010

Uma dor de alma

Ontem, por mero acaso, ouvi ( e, mais do que ouvir, vi ) uma intervenção da ministra do Trabalho na Televisão. Uma dor de alma. Com tantos consultores e agências de comunicação será que não há ninguém que lhe dê uma mãozinha? Ou será que já não vale a pena a aposta?

Uma afronta perigosa

Carlos César tem revelado, principalmente neste último ano, uma total inabilidade política, mas agora começa a revelar a sua verdadeira "tendência anarquista", aliás pródiga em muitas figuras mais ortodoxas dentro do aparelho socialista. Estas suas últimas afirmações, para além de perigosas são afrontosas à generalidade dos portugueses quando afirma que no caso da remuneração compensatória para os trabalhadores da administração pública regional que ganham entre 1.500 e 2.000 euros mensais, o que o Executivo açoriano decidiu foi "cancelar uma obra num campo de futebol e apoiar um conjunto de trabalhadores e famílias".
Ou será que Carlos Carlos César não conhece a realidade do seu país?

28 de outubro de 2010

Para bom entendedor...

Comunicação e Política continuam a viver num pântano e custa-me a crer que ninguém perceba que são os profissionais da área que mais atingidos são na sua reputação. Vem isto a propósito de uma notícia do Jornal de Negócios sobre as ligações, entre outras, da F5C ao actual Governo. Não digo, nem discuto se elas existem ou não. Digo apenas que provavelmente a citada consultora tem trabalhado tanto para o PS como para o PSD. Aliás, coincidências aceita-as quem quer. No entanto, não deixa de ser curioso que estas notícias sejam veiculadas numa altura em que consta que a cúpula máxima do PSD se tem aconselhado em matérias sensíveis de marketing e comunicação política com consultor(es) da F5C. Será isto uma reacção corporativista ou haverá por ai gente que já se julgava de volta ao poleiro pelas mesmas razões que faz sentir nos outros? Principalmente depois de conhecidas as sondagens mais recentes (que, aliás se diga, o PSD revelou alguma falta de sentido de oportunidade "em ter deixado cair"). Já agora, aos ávidos de informação, fica uma pista: porque não olham para as recentes mexidas na informação da RTP, nomeadamente no Canal 2, que, por acaso, até é uma estação pública.

18 de outubro de 2010

O Engodo


Finalmente…o grande engodo comunicacional que Portugal vive há mais de uma década está prestes a rebentar. A bolha vai estilhaçar tudo e todos mas os principais culpados são todos os portugueses, todos nós. A Democracia plena constrói-se na participação, não na informação ou na comunicação. Mais acesso, mais informação, mais liberdade de expressão, não significa melhor informação, mas, via da regra, mais espaço para manipulação. O espectáculo, o mediatismo, o aqui a agora, destroem o espaço público, destroem a capacidade de mediação, de o indivíduo racionalizar e exploram a sua vulnerabilidade. A “verdade dos media” é a verdade tout court. A política já não vive fora do mediatismo, até porque esse era incortornável, (mas não insubstituível). Os políticos não conhecem os eleitores, os eleitores não sabem quem são os políticos. Apreendem apenas a realidade do grande ecrã e o filtro não é necessariamente isento. Da política espectáculo já estamos muito próximo do espectáculo da política. Tudo se constrói em torno do espaço mediático, do palco, como se de um live show se tratasse. E assim, em questões menores, discussões estéreis, chantagens diplomáticas, proliferação de análises e analistas que tentam interpretar o que os políticos dizem – pois estes já não falam no espaço comum em que os cidadãos os possam compreender – se vão escondendo as realidades ou melhor se têm vindo a esconder as realidades deste país, o seu atraso estrutural, a incapacidade ou não vontade de controlar o “monstro Estado no seu voraz apetite tão necessário para o clientismo político”. Porque Portugal é um doente endémico. Não foi esta crise que colocou o País em coma, mas sim o estado debilitado da Nação que COMUNICACIONALMENTE aparentava uma saúde de ferro.
Em entrevista recente à TSF, Medina Carreira não pôs o dedo na ferida, antes enfiou o braço até ao ombro como se do parto de uma bezerra se tratasse: «o primeiro-ministro não tem estratégia nenhuma senão andar a fazer espectáculo e ir conciliando as circunstâncias para ver se vai durando». Mas não é só o primeiro-ministro. São os políticos, são os socialistas, são as máquinas de assessores, consultores, analistas e agências de comunicação que gravitam à volta do sistema. Não significa isto que, nesta panóplia imensa, não exista gente séria e preocupada. Só que a teia foi bem urdida e rompê-la não é uma tarefa fácil.
Pode ser que muitos outros Medinas Carreira consigam finalmente romper o engodo comunicacional em que temos vivido há mais de uma década.
É que agora já não é tempo de falar, é tempo de agir.
Crônicas da Frontline

28 de maio de 2010

PORTUGAL: Comunicação interna precisa-se...

Se olharmos com alguma atenção para todo este clima de ameaça económica que paira sobre Portugal montado por “umas agências e uns senhores” que ninguém compreende bem a legitimidade, as motivações e, muito menos, como funcionam não pudemos deixar de nos interrogar porque ninguém reage a contestar essa mesma legitimidade. O Pais aceita resignado esta percepção induzida de que algo está mal na nossa economia e logo o País está à beira da falência.
Que o País está mal, os portugueses sabem-no. Não de agora mas de há muito anos a esta parte. Mas os portugueses não reagem, se revelam esta apatia resignada terá de haver algo que o explique, que o motive, para além do fado e do triste destino.
Olhemos para o País como uma empresa, olhemos para os portugueses como o seu capital humano e procuremos onde está a cultura organizacional entendida como o elemento agregador dos seus colaboradores, como um tecido com as suas características próprias de padrão, cor e resistência, rapidamente temos de concluir que, quanto mais “esticamos” as organizações para patamares de exigência e competitividade, mais a curva de elasticidade desse mesmo tecido organizacional e social vai diminuindo e caminhando para o ponto de ruptura. E é precisamente onde estamos hoje.
Se entendermos que as organizações são baseadas em conhecimento e que a capitalização deste conhecimento a favor da construção de vantagens competitivas só pode ser conseguido através da colaboração entre todas as pessoas – e para isso acontecer são necessárias networks de informação e de co-resolução de dificuldades – facilmente concluímos que é fundamental criar capital relacional que só é conseguido pela existência de uma cultura facilitadora e de um clima organizacional (político) de abertura, capazes de gerar confiança.
Porque é necessariamente disto que estamos a falar: do patamar mínimo de confiança dentro da organização que permita aos seus colaboradores desenvolverem todo o seu potencial. É que associado ao patamar de confiança está um outro conceito inversamente proporcional – o da ameaça ou da desejável redução do nível de ameaça na organização – talvez aquele que, descontrolado, mais prejuízo causa nas estruturas organizacionais, seja uma empresa, seja um País.
Em Portugal andam todos a falar para fora quando os portugueses precisam é de alguém que fale com eles. Que explique, que mobilize, que desconstrua os mitos e os interesses que eles servem. Esta é a grande meta: montar um sistema de comunicação interna capaz de gerar confiança. É disto que os portugueses precisam.
Crônicas da Frontline

18 de maio de 2010

Voando sobre um ninho de cucos

Quando Pedro Passos Coelho conquistou a liderança do PSD assaltou-me à memória uma imagem curiosa, ambígua, mas carregada de significado: de um Jack Nicholson a jogar basquetebol no pátio de um hospício.
Obra-prima de Milos Forman, o filme retrata a estranha história de um jovem delinquente que para escapar à pena de trabalhos forçados a que foi condenado resolve fazer-se passar por doente mental. Mas quando chega à instituição psiquiátrica que o vai acolher o choque é profundo e quando se começa a confrontar com os abusos físicos e psicológicos encabeça uma revolta com os doentes rebelando-os contra toda a violência a que eram sujeitos.
Assim está Passos Coelho para o actual aparelho social-democrata. Um “estranho” para o actual status quo e que rapidamente vai ter de afrontar poderes instituídos e rebelar o Partido para então ter tempo para olhar para Portugal. Para já o Partido parece estar a ganhar e acredito que só a pressão tentacular de que Passos Coelho ainda é refém explique a sua entrada de pé esquerdo e alguns momentos infelizes que já protagonizou na sua nova qualidade de líder, principalmente quando se trata de comunicar. O erro é fatídico e o novo líder parece, para já, alinhado no diapasão medíocre da comunicação política em Portugal: falar entre pares e esquecer que quem tem de ouvir são os portugueses.
Passos Coelho tem de fugir à lobotomia que o partido e também os seus opositores políticos lhe vão querer impor, cada um à sua maneira como a calculista enfermeira Milred Ratched fazia aos seus doentes. Mas, por outro lado, Passos Coelho, assim como Randle P. McMurphy, o personagem de Jack Nicholson, leva um trunfo de avanço que se traduz na sua (acreditemos) capacidade de destabilizar, sem que ninguém consiga antecipar as suas jogadas assim elas fujam ao normativo de acção política de todos aqueles que se arrastam pelos corredores e becos do Poder. Mesmo aqueles que há menos tempo (aparentemente) andam nesta andanças, a exemplo dos bloquistas, já lhe ganharam o vício. Bom sinal foi as estranhas reacções e naturalmente pouco enérgicas reacções às escolhas que o líder fez para os seus pares mais próximos, principalmente a vinda dos académicos puros e duros para a esfera da política activa. Porque de políticos sem provas dadas está o País cheio deles.
Passos Coelho tem o destino nas suas mãos: ou ganha a revolta e logo o País ou rapidamente vai perceber a analogia do voando sobre um ninho de cucos de que “descansar num hospital de doentes mentais só pode ser coisa de loucos”.
Crônicas da Frontline

13 de maio de 2010

Politicamente burros

Francisco Louça deve andar aos pulos de contente. Não é preciso radicalizar o discurso. O PS e o PSD começaram a dar-lhe os portugueses de mão beijada. Penalizar os portugueses com mais carga fiscal quando estes têm clara consciência que estão a pagar os erros dos políticos e ainda tentar suavizar dizendo que na resposta à crise, mesmo assim, metade do esforço necessário vem do corte da despesa pública não é um erro político mas sim uma tropelia sem qualificação. Em abono da verdade, muito neste país também resulta de uma falência cultural de que milhares de portugueses não se podem alhear e ai com grande responsabilidade para as centrais sindicais e muitas outras agremiações similares que se movem por interesses egoístas. Mas para os outros muitos milhares de portugueses é chegado o momento do direito à indignação. Os socialistas não surpreenderam e a arrogância manifestada pelo Ministro das Finanças não é sinal de desnorte, nem tão pouco uma atitude irreflectida de um"pai que tanta recuperar a legitimidade perdida". É o espelho embaciado da forma como José Sócrates tem governado estes anos. Só que agora nem a máquina da comunicação já faz milagres.
Quanto a Passos Coelho, as desculpas evitam-se...

2 de outubro de 2009

A súbita obsessão republicana de Costa


Se é politicamente compreensível a não participação de Cavaco Silva nas cerimónias deste ano do 5 de Outubro, já não se compreende porque razão não é Jaime Gama, Presidente da AR, a presidir às mesmas. Aliás, a exemplo do que já aconteceu em circunstâncias semelhantes no mandato de Jorge Sampaio. Mas percebe-se esta súbita obsessão republicana de António Costa. A ponto de estar a gerar mal-estar, não só na GNR por causa da questão das Honras Militares, mas também noutros sectores. E quanto a este último assunto nem há nada a discutir. Muito menos a incompreensível ingerência do protocolo da autarquia onde não lhe é reconhecida competência nesta matéria. Até porque a cerimónia não é municipal, é Nacional. A decisão última cabe à Presidência da República apoiada no Protocolo de Estado.

30 de setembro de 2009

Elisa a tonta


Partindo do princípio que Elisa Ferreira representa alguma elite política na aposta autárquica do PS percebe-se, depois do debate de ontem na SIC Notícias, o porquê da baixa representatividade dos socialistas nos municípios portugueses. O que assistimos por parte da candidata socialista à Câmara do Porto foi uma prestação medíocre, revelando uma total falta de cultura democrática para com as outras forças políticas presentes e um preocupante desconhecimento de muitos dossiers relativos à cidade. Um vazio de ideias assente num sorriso tonto e tentando desesperadamente falar, falar, falar. Eficácia nula.