6 de outubro de 2008

O espelho não mente

Recomenda-se uma leitura atenta do artigo publicado no OJE pela Carla Guedes, Directora-geral da Reputation, sobre a problemática das auditorias de comunicação.

5 de outubro de 2008

Ensaio sobre a estupidez (II)



Mais uma pequena nota sobre o universo dos invisuais. Vale a pena ver este anúncio. Não deixa de ser publicidade, mas a mensagem ultrapassa-a em muito. É universal. Para os Saramagos deste mundo...

3 de outubro de 2008

Ensaio sobre a estupidez


Pessoalmente não gosto de Saramago, não gosto da sua escrita, não gostei da atitude de outrora para com o seu País. Estou no meu direito assim como Saramago está no seu para emitir as opiniões que entende por bem.
Agora muito menos gosto de Saramago face às suas públicas posições por força das críticas ao filme de Fernando Meirelles baseado na sua obra “Ensaio sobre a Cegueira”.
Utilizar argumentos para denegrir uma representativa associação norte-americana de pessoas invisuais como acusá-la de “ter uma opinião sobre um filme que infelizmente não pôde ver” é, no mínimo, intolerável. Mais que não seja é reduzir um invisual à condição de estúpido só porque está apartado de uma parcela sensorial.
É um discurso que, pelo menos na sua forma, se aproxima perigosamente de doutrinas que consideramos inaceitáveis.
Poderia ter sido uma gafe? Saramago expressou-se mal? Duvido! A reacção é típica do “acossado” que se julga intocável.
Saramago tem naturalmente todo o direito a defender a sua posição, mas tem sobretudo a obrigação de o fazer de uma forma responsável.
Por isso mesmo, o exemplo poderá servir muito bem a quem efectivamente tem responsabilidades neste país, sejam pessoas, sejam organizações. Mas também aqui, em casos como este, os players (consultores) neste universo da Comunicação têm a responsabilidade de intervir. Debatendo, denunciando, protegendo e sobretudo credibilizando a sua esfera de actuação perante poderes, instituições e opinião pública.

Resgate fiscal ou resgate comunicacional? (II)

Sobre o que atrás escrevi, acentuei a tónica da eficácia fiscal também para esta reflexão que se segue:
A (propagada) eficácia fiscal é tão grande que a vou colocar a questão do outro lado da amurada. Um comunicado de um contribuinte hoje divulgado revela que foi enviado 1 email a 1 Serviço do Estado, notificando pela prática de crime de incompetência. Isto porque no exercício de 2006, a DGCI lhe cobrou 248 euros de juros, com base num processo de 1996 que afinal está liquidado. Os técnicos das finanças conseguiram, por fim, apurar que esses juros tinham sido indevidamente cobrados e, para além disso, calculados com base num valor que é dinheiro que o Estado afinal tem para reembolsar ao contribuinte. De uma forma simples: cobraram juros sobre o dinheiro que devem. Passado um ano, para além de não terem ainda resolvido a situação, voltaram no IRS de 2007 a cobrar novamente os mesmos 248 euros de juros, com base no mesmo processo e calculados sobre a mesma dívida que tem para com o contribuinte.
Urgente: Resgate precisa-se…

Resgate fiscal ou resgate comunicacional?


Os comunicados da DGCI não param de me surpreender e contribuir para aumentar o sentimento de que a estratégia de comunicação da máquina fiscal (leia-se Estado/Governo) é apenas uma ferramenta propagandística de carácter intimidatório contra o contribuinte.
Atente-se ao comunicado divulgado hoje sobre a Operação Resgate Fiscal, através do qual ficamos, entre outras coisas, a saber que a DGCI recuperou 54 031 milhões de euros, notificou 4672 empresas , instaurou 305 processos crime e emitiu 198 047 emails a 45 667 contribuintes.
Que relevância tem este tipo de informação para o contribuinte? Então que pressupostos estão em jogo? Tentar passar uma imagem de competência de um organismo público em que a relação dominante com os cidadãos é conflituosa? Servir de almofada de conforto para legitimação de discurso político de eficácia fiscal por parte do Governo? Ou é apenas uma ferramenta propagandística de carácter intimidatório ao contribuinte?
Porque bases para um exercício responsável, assente numa comunicação transparente e até pedagógica, não encontro nenhumas.
A democracia não se constrói apenas com base no livre exercício do direito de voto. É fundamental a relação (de respeito) do Estado com o cidadão. E, neste domínio, a Comunicação assume um papel fundamental.

Mudem-se os Tempos...


A questão das métricas em PR que o António Marques Mendes levanta (novamente) hoje é, de facto, um paradigma interessante de analisar numa perspectiva que nos leve a encontrar alguns factores inibidores para avançarmos neste domínio.
Por exemplo, uma eficaz avaliação, senso lato, da Comunicação, seria condição essencial para adoptarmos esquemas de remuneração por objectivos, em substituição das tradicionais avenças por prestação de serviços. Os reflexos seriam também óbvios nos processos de envolvimento Cliente/Consultores, mas obrigavam a uma profunda mudança na “mentalidade de gestão” da generalidade do tecido organizacional das instituições em Portugal.
O consultor de comunicação não pode ser um “corpo estranho à instituição”, nem menos uma figura de segunda linha quando este aparente estigma de anticorpo é ultrapassado.
Esta é apenas uma das mudanças necessárias entre muitas outras, como muito bem alude o Miguel Albano.
Por isso mesmo para quê mudar. De facto, o actual status quo é muito mais confortável para todos. Excepto para aqueles que tem uma verdadeira visão de consultoria em Comunicação. Mas a esses cabe também a grande responsabilidade de induzir esta mudança de mentalidades. Como, por exemplo, recusando trabalhar em condições de envolvimento Consultor/Empresa em que sejam meros prestadores de serviços (embora em alguns casos esse modelo deva ser adoptado), mesmos que isso tenha custos financeiros no curto prazo.
Porque, no médio prazo, este exercício bem entendido na vertente pedagógica, permitirá, para além de mais, separar o trigo do joio.

29 de setembro de 2008

As competências básicas e a lógica do óbvio


Outro dia recebi um telefonema inesperado da minha mulher que me trouxe à luz de uma forma que, até então, nunca tinha equacionado, algo que considero um dos problemas mais (saiba-se lá porquê) ignorados e que afectam seriamente a alegada competitividade (ou falta dela) dos portugueses.
Dizia-me a minha mulher ao telefone em tom já de desespero: “sabes enfiar a porcaria de uma folha na máquina de escrever Braille?”. Naturalmente respondi que não fazia a mínima ideia. Mas porquê? Ainda indaguei. A resposta foi surpreendente: “Vê bem a ironia. Estamos aqui na faculdade a preparar um trabalho para o mestrado, todas temos competências, não só para ler como para escrever correctamente em Braille, mas não conseguimos enfiar a porcaria da folha na máquina”.
A ilação a retirar deste episódio é simples. Na realidade, aquele grupo, por mais competências avançadas que tivesse, não conseguia ultrapassar a falta de uma competência básica para atingirem um determinado objectivo. Neste caso, a colocação de uma simples folha de papel numa máquina. E porquê? Por duas razões que se opõem consoante os protagonistas deste episódio. Por um lado, na óptica do professor que sempre se preocupou (em ensinar) com tudo o que não era óbvio, ou seja, por exemplo, o colocar a folha na máquina. Na óptica dos alunos, porque o objectivo era adquirirem as competências avançadas programadas e nunca pensaram no mais óbvio: um dia talvez precisassem de colocar a folha na máquina. Até porque sempre que precisaram a folha já lá estava. Também é óbvio que, por força da arte e do engenho conseguiram ultrapassar a situação. Só que o custo foi elevado. Consumiu muitos mais recursos, materiais e humanos, mas sobretudo abalou um alicerce fundamental, o da segurança do indivíduo e do reconhecimento intrínseco das suas capacidades.
Este raciocínio leva-nos a uma conclusão que nos remete obviamente para a aceitação de um novo paradigma: As competências básicas são tudo o que não está para além do óbvio. Logo, as competências básicas não são conteúdos programados para aprendizagem. Não existe distinção entre estas e as outras competências, sejam básicas ou avançadas. Umas são naturalmente produto da aprendizagem programada; as outras são produto da experiência, mais concretamente do co-relacionamento das competências adquiridas do ponto de vista programável (na escola, na universidade, na formação profissional) com a vivência induzida pelo universo dessas experiências. E estas têm ainda um reflexo enorme sobre um dos aspectos mais relevantes no domínio humano, o da Liderança até porque inibem precisamente o estigma do fragilizar da segurança individual.
Um resultado não óbvio deste paradigma. Se um dia me pedissem para contratar quadros de elevado potencial para uma empresa colocava três critérios eliminatórios logo à partida: terem mais de 40 anos, pelo menos dez empregos anteriores em áreas diferenciadas, embora com um tronco comum e um elevado sentido de humor. Isto é obviamente o contrário dos que os especialistas em recursos humanos fazem hoje em dia. Logo, é óbvio que lhes falta qualquer coisa…


PS: a parte do sentido de humor explico mais tarde.


Crônicas da Frontline

25 de setembro de 2008

Quo Vadis Lex (II)


Ainda recentemente abordei numa crônica no Oje, e que aqui reproduzi, a problemática da relação do mercado dos serviços jurídicos em Portugal com a esfera da comunicação ou, mais genericamente, o enquadramento do marketing legal no nosso país. E escrevi com alguma inquietação e preocupação sobre a alegada voragem comunicacional que se instalou neste sector, em particular nas sociedades de advogados, sobretudo dominada por uma luta de visibilidade. Ainda esta semana, acompanhando o que se vai publicando (nos poucos suportes de media que assim compreensivelmente existem) fui confrontado com o mesmo panorâma desolador. Aliás, vejo até agora sugerirem critérios diferenciadores entre algumas sociedades como a área de escritórios (em m2) que ocupam.

A questão básica a que começo, cada vez mais, a ter dificuldade em responder, é que sentido existe na Comunicação das sociedades de advogados, regra geral, no nossso mercado. Comunicam para quem? Para quê? Com que objectivo?

Queixam-se que o panorama de media na área jurídica é restricto? Será que é difícil compreender que maturidade comunicacional do sector jurídico é fundamental para o seu crescimento editorial neste domínio. Há excepções, felizmente...mas ainda sem força para romperem este estado de letargia animado apenas por pressupostos de afirmação egoísta e sem a preocupação de produzirem informação consistente, objectiva, útil, que consolide a gestação reputacional dos seus autores, quer sejam advogados, sociedades de advogados ou outros players neste abrangente universo.

E quando comparamos Portugal com outros mercados do ponto de vista do marketing legal então é que compreendemos a verdadeira extensão deste atraso estrutural (ou talvez lhe deva chamar Comunicacional).

19 de setembro de 2008

Iconografia

As imagens valem mil palavras. Acrescentei uma pequena nota iconográfica que espelha na essência o que se vai fazendo neste blogue. Por enquanto ainda podem dormir descansados. Um agradecimento ao José Machado por esta contribuição.

Parabéns ao Nuno


O meu querido amigo Armando Nuno Carneiro, director das publicações HV, foi distinguido com o Prémio “Friends of Thailand”, na categoria Media Internacional, pelo contributo prestado ao Turismo da Tailândia, através da publicação de artigos de relevo nas revistas que tem editado ao longo destes últimos anos.

A Autoridade de Turismo da Tailândia (TAT) atribui, pela primeira vez, o Prémio “Friends of Thailand” a um jornalista português e a cerimónia, que terá lugar no próximo dia 27 de Setembro, em Banguecoque, será presidida pelo Primeiro Ministro Tailandês.

Os prémios “Friends of Thailand” são atribuídos bianualmente a personalidades e organizações que tenham contribuído de forma decisiva para a divulgação da Tailândia enquanto destino turístico. Desde que os prémios foram introduzidos, em 1996, a TAT já entregou 356 prémios, em 57 países. Até hoje, apenas um operador turístico português tinha sido distinguido pelo Turismo da Tailânda.