Aqui fica o link para o artigo do José Nuno Martins
http://dn.sapo.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1685179
Modesto contributo para a reflexão sobre disciplinas críticas como a Política, a Comunicação e as Relações Públicas. Um espaço de debate sobre a condição humana.
14 de outubro de 2010
Prostituição Académica
O que se passou nas provas de agregação do prof. Nuno Brandão e que José Nuno Martins dá hoje eco num artigo publicado no DN é de uma gravidade sem precedentes. Primeiro, porque a própria Universidade Técnica de Lisboa, ao legitimar este tipo de actuação, põe em causa todo um corpo científico de saber e todos os profissionais da área da comunicação e Relações Públicas, organismos, agências, estudantes, etc., etc. Segundo, porque ameaça toda a Cátedra Portuguesa. Se todos os professores catedráticos deste país não reagirem publicamente contra o que este senhor fez, significa isso que legitimam este tipo de actuação e conferem a si próprios um rótulo de descrédito, corporativismo e insanidade a que sujeitam todos os estudantes e professores universitários do ensino superior em Portugal.
Como refere José Nuno Martins, o que o senhor Adriano Duarte Rodrigues fez foi, para além de revelar e assumir desconhecimento sobre as matérias que estavam ser arguidas (estranho como o presidente do júri revela esta insconsistência), acabar por tecer considerações sobre considerações, comparando as Relações Públicas a expressões referidas às mulheres da vida pública e se não diriam respeito, isso sim, "às relações usuais em casas de passe".
12 de julho de 2010
Bizarro

O dono de uma Agência de Comunicação como voz oficial a desmentir um boato de falta de liquidez do maior banco privado português é no mínimo bizarro. Todos os actores saem mal da novela, principalmente o BCP que revela a veleidade na forma como trata a sua imagem, a sua comunicação e o respeito pelos seus públicos. Saem mal as agências de comunicação nesta lógica de «apropriação de protagonismo gratuito».
PS: Por apurar fica o facto do boato correr já há muitos dias como uma insistência pouco normal nos corredores de S. Bento.
28 de maio de 2010
PORTUGAL: Comunicação interna precisa-se...
Se olharmos com alguma atenção para todo este clima de ameaça económica que paira sobre Portugal montado por “umas agências e uns senhores” que ninguém compreende bem a legitimidade, as motivações e, muito menos, como funcionam não pudemos deixar de nos interrogar porque ninguém reage a contestar essa mesma legitimidade. O Pais aceita resignado esta percepção induzida de que algo está mal na nossa economia e logo o País está à beira da falência.
Que o País está mal, os portugueses sabem-no. Não de agora mas de há muito anos a esta parte. Mas os portugueses não reagem, se revelam esta apatia resignada terá de haver algo que o explique, que o motive, para além do fado e do triste destino.
Olhemos para o País como uma empresa, olhemos para os portugueses como o seu capital humano e procuremos onde está a cultura organizacional entendida como o elemento agregador dos seus colaboradores, como um tecido com as suas características próprias de padrão, cor e resistência, rapidamente temos de concluir que, quanto mais “esticamos” as organizações para patamares de exigência e competitividade, mais a curva de elasticidade desse mesmo tecido organizacional e social vai diminuindo e caminhando para o ponto de ruptura. E é precisamente onde estamos hoje.
Se entendermos que as organizações são baseadas em conhecimento e que a capitalização deste conhecimento a favor da construção de vantagens competitivas só pode ser conseguido através da colaboração entre todas as pessoas – e para isso acontecer são necessárias networks de informação e de co-resolução de dificuldades – facilmente concluímos que é fundamental criar capital relacional que só é conseguido pela existência de uma cultura facilitadora e de um clima organizacional (político) de abertura, capazes de gerar confiança.
Porque é necessariamente disto que estamos a falar: do patamar mínimo de confiança dentro da organização que permita aos seus colaboradores desenvolverem todo o seu potencial. É que associado ao patamar de confiança está um outro conceito inversamente proporcional – o da ameaça ou da desejável redução do nível de ameaça na organização – talvez aquele que, descontrolado, mais prejuízo causa nas estruturas organizacionais, seja uma empresa, seja um País.
Em Portugal andam todos a falar para fora quando os portugueses precisam é de alguém que fale com eles. Que explique, que mobilize, que desconstrua os mitos e os interesses que eles servem. Esta é a grande meta: montar um sistema de comunicação interna capaz de gerar confiança. É disto que os portugueses precisam.
Que o País está mal, os portugueses sabem-no. Não de agora mas de há muito anos a esta parte. Mas os portugueses não reagem, se revelam esta apatia resignada terá de haver algo que o explique, que o motive, para além do fado e do triste destino.
Olhemos para o País como uma empresa, olhemos para os portugueses como o seu capital humano e procuremos onde está a cultura organizacional entendida como o elemento agregador dos seus colaboradores, como um tecido com as suas características próprias de padrão, cor e resistência, rapidamente temos de concluir que, quanto mais “esticamos” as organizações para patamares de exigência e competitividade, mais a curva de elasticidade desse mesmo tecido organizacional e social vai diminuindo e caminhando para o ponto de ruptura. E é precisamente onde estamos hoje.
Se entendermos que as organizações são baseadas em conhecimento e que a capitalização deste conhecimento a favor da construção de vantagens competitivas só pode ser conseguido através da colaboração entre todas as pessoas – e para isso acontecer são necessárias networks de informação e de co-resolução de dificuldades – facilmente concluímos que é fundamental criar capital relacional que só é conseguido pela existência de uma cultura facilitadora e de um clima organizacional (político) de abertura, capazes de gerar confiança.
Porque é necessariamente disto que estamos a falar: do patamar mínimo de confiança dentro da organização que permita aos seus colaboradores desenvolverem todo o seu potencial. É que associado ao patamar de confiança está um outro conceito inversamente proporcional – o da ameaça ou da desejável redução do nível de ameaça na organização – talvez aquele que, descontrolado, mais prejuízo causa nas estruturas organizacionais, seja uma empresa, seja um País.
Em Portugal andam todos a falar para fora quando os portugueses precisam é de alguém que fale com eles. Que explique, que mobilize, que desconstrua os mitos e os interesses que eles servem. Esta é a grande meta: montar um sistema de comunicação interna capaz de gerar confiança. É disto que os portugueses precisam.
Crônicas da Frontline
18 de maio de 2010
Voando sobre um ninho de cucos
Quando Pedro Passos Coelho conquistou a liderança do PSD assaltou-me à memória uma imagem curiosa, ambígua, mas carregada de significado: de um Jack Nicholson a jogar basquetebol no pátio de um hospício.
Obra-prima de Milos Forman, o filme retrata a estranha história de um jovem delinquente que para escapar à pena de trabalhos forçados a que foi condenado resolve fazer-se passar por doente mental. Mas quando chega à instituição psiquiátrica que o vai acolher o choque é profundo e quando se começa a confrontar com os abusos físicos e psicológicos encabeça uma revolta com os doentes rebelando-os contra toda a violência a que eram sujeitos.
Assim está Passos Coelho para o actual aparelho social-democrata. Um “estranho” para o actual status quo e que rapidamente vai ter de afrontar poderes instituídos e rebelar o Partido para então ter tempo para olhar para Portugal. Para já o Partido parece estar a ganhar e acredito que só a pressão tentacular de que Passos Coelho ainda é refém explique a sua entrada de pé esquerdo e alguns momentos infelizes que já protagonizou na sua nova qualidade de líder, principalmente quando se trata de comunicar. O erro é fatídico e o novo líder parece, para já, alinhado no diapasão medíocre da comunicação política em Portugal: falar entre pares e esquecer que quem tem de ouvir são os portugueses.
Passos Coelho tem de fugir à lobotomia que o partido e também os seus opositores políticos lhe vão querer impor, cada um à sua maneira como a calculista enfermeira Milred Ratched fazia aos seus doentes. Mas, por outro lado, Passos Coelho, assim como Randle P. McMurphy, o personagem de Jack Nicholson, leva um trunfo de avanço que se traduz na sua (acreditemos) capacidade de destabilizar, sem que ninguém consiga antecipar as suas jogadas assim elas fujam ao normativo de acção política de todos aqueles que se arrastam pelos corredores e becos do Poder. Mesmo aqueles que há menos tempo (aparentemente) andam nesta andanças, a exemplo dos bloquistas, já lhe ganharam o vício. Bom sinal foi as estranhas reacções e naturalmente pouco enérgicas reacções às escolhas que o líder fez para os seus pares mais próximos, principalmente a vinda dos académicos puros e duros para a esfera da política activa. Porque de políticos sem provas dadas está o País cheio deles.
Passos Coelho tem o destino nas suas mãos: ou ganha a revolta e logo o País ou rapidamente vai perceber a analogia do voando sobre um ninho de cucos de que “descansar num hospital de doentes mentais só pode ser coisa de loucos”.
Obra-prima de Milos Forman, o filme retrata a estranha história de um jovem delinquente que para escapar à pena de trabalhos forçados a que foi condenado resolve fazer-se passar por doente mental. Mas quando chega à instituição psiquiátrica que o vai acolher o choque é profundo e quando se começa a confrontar com os abusos físicos e psicológicos encabeça uma revolta com os doentes rebelando-os contra toda a violência a que eram sujeitos.
Assim está Passos Coelho para o actual aparelho social-democrata. Um “estranho” para o actual status quo e que rapidamente vai ter de afrontar poderes instituídos e rebelar o Partido para então ter tempo para olhar para Portugal. Para já o Partido parece estar a ganhar e acredito que só a pressão tentacular de que Passos Coelho ainda é refém explique a sua entrada de pé esquerdo e alguns momentos infelizes que já protagonizou na sua nova qualidade de líder, principalmente quando se trata de comunicar. O erro é fatídico e o novo líder parece, para já, alinhado no diapasão medíocre da comunicação política em Portugal: falar entre pares e esquecer que quem tem de ouvir são os portugueses.
Passos Coelho tem de fugir à lobotomia que o partido e também os seus opositores políticos lhe vão querer impor, cada um à sua maneira como a calculista enfermeira Milred Ratched fazia aos seus doentes. Mas, por outro lado, Passos Coelho, assim como Randle P. McMurphy, o personagem de Jack Nicholson, leva um trunfo de avanço que se traduz na sua (acreditemos) capacidade de destabilizar, sem que ninguém consiga antecipar as suas jogadas assim elas fujam ao normativo de acção política de todos aqueles que se arrastam pelos corredores e becos do Poder. Mesmo aqueles que há menos tempo (aparentemente) andam nesta andanças, a exemplo dos bloquistas, já lhe ganharam o vício. Bom sinal foi as estranhas reacções e naturalmente pouco enérgicas reacções às escolhas que o líder fez para os seus pares mais próximos, principalmente a vinda dos académicos puros e duros para a esfera da política activa. Porque de políticos sem provas dadas está o País cheio deles.
Passos Coelho tem o destino nas suas mãos: ou ganha a revolta e logo o País ou rapidamente vai perceber a analogia do voando sobre um ninho de cucos de que “descansar num hospital de doentes mentais só pode ser coisa de loucos”.
Crônicas da Frontline
13 de maio de 2010
Politicamente burros
Francisco Louça deve andar aos pulos de contente. Não é preciso radicalizar o discurso. O PS e o PSD começaram a dar-lhe os portugueses de mão beijada. Penalizar os portugueses com mais carga fiscal quando estes têm clara consciência que estão a pagar os erros dos políticos e ainda tentar suavizar dizendo que na resposta à crise, mesmo assim, metade do esforço necessário vem do corte da despesa pública não é um erro político mas sim uma tropelia sem qualificação. Em abono da verdade, muito neste país também resulta de uma falência cultural de que milhares de portugueses não se podem alhear e ai com grande responsabilidade para as centrais sindicais e muitas outras agremiações similares que se movem por interesses egoístas. Mas para os outros muitos milhares de portugueses é chegado o momento do direito à indignação. Os socialistas não surpreenderam e a arrogância manifestada pelo Ministro das Finanças não é sinal de desnorte, nem tão pouco uma atitude irreflectida de um"pai que tanta recuperar a legitimidade perdida". É o espelho embaciado da forma como José Sócrates tem governado estes anos. Só que agora nem a máquina da comunicação já faz milagres.
Quanto a Passos Coelho, as desculpas evitam-se...
10 de maio de 2010
30 de outubro de 2009
Comunicação Integrada
Chama-se Comunicação Integrada e é um novo blogue dedicado ao debate e reflexão sobre as áreas temáticas dedicadas a esta grande disciplina. Será também mais um espaço para o meu contributo pelo que naturalmente o Be Aware of The Dog ficará um pouco mais "adormecido".
Excepto se a Política exigir alguma reacção mais crítica.
2 de outubro de 2009
A súbita obsessão republicana de Costa

Se é politicamente compreensível a não participação de Cavaco Silva nas cerimónias deste ano do 5 de Outubro, já não se compreende porque razão não é Jaime Gama, Presidente da AR, a presidir às mesmas. Aliás, a exemplo do que já aconteceu em circunstâncias semelhantes no mandato de Jorge Sampaio. Mas percebe-se esta súbita obsessão republicana de António Costa. A ponto de estar a gerar mal-estar, não só na GNR por causa da questão das Honras Militares, mas também noutros sectores. E quanto a este último assunto nem há nada a discutir. Muito menos a incompreensível ingerência do protocolo da autarquia onde não lhe é reconhecida competência nesta matéria. Até porque a cerimónia não é municipal, é Nacional. A decisão última cabe à Presidência da República apoiada no Protocolo de Estado.
30 de setembro de 2009
Elisa a tonta

Partindo do princípio que Elisa Ferreira representa alguma elite política na aposta autárquica do PS percebe-se, depois do debate de ontem na SIC Notícias, o porquê da baixa representatividade dos socialistas nos municípios portugueses. O que assistimos por parte da candidata socialista à Câmara do Porto foi uma prestação medíocre, revelando uma total falta de cultura democrática para com as outras forças políticas presentes e um preocupante desconhecimento de muitos dossiers relativos à cidade. Um vazio de ideias assente num sorriso tonto e tentando desesperadamente falar, falar, falar. Eficácia nula.
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