
Mas neste divagar não consigo fugir ao matraquear assustadoramente ritmado dos juros da dívida pública portuguesa e da tenebrosa (?) fasquia dos 7%. Substitua-se ritmado por concertado e, aqui sim, começamos a perceber que se desenham no horizonte mais sinais identitários, no sentido de uma acção concertada, do que sinais dos tempos, no sentido de uma reacção conjuntural. Mas mais preocupante é que toda esta dinâmica só faz algum sentido quando é propensamente potenciada pela comunicação social.
Foi nesta embriaguez que quase passou despercebida uma decisão de ferro como a do BES de cortar as suas ligações com a agência de cotação financeira Fitch depois da “tecnicamente inexplicável” revisão em baixa do rating dos principais bancos portugueses. Não podemos, para já, avaliar se a decisão do BES foi prudente, mas a sua decisão teve em conta o denominado Princípio da Prudência. Não o que decalca da Contabilidade, mas sim a observância mais lata que emana da dialéctica aristotélica e que nos leva a criar sistemas redundantes perante as possibilidade de ameaça e incerteza. Ou seja, o BES reagiu contra uma ameaça que configura um mal maior com uma decisão que poderá configurar um mal menor. A observância do Principio da Prudência não é um acto irreflectido, mas um acto consciente, ponderado, e determinado. Irreflectido seria deixar propagar uma ameaça, cujos contornos (ou propósitos) não são ainda totalmente conhecidos, mas cujo balanço aparentemente orquestrado com as Siglas FMI e Merkel começa a ser mais que suspeito. E a sigla Merkel vai regendo a Orquestra com uma batuta chamada comunicação social.
Infelizmente, parece que para a generalidade dos nossos decisores políticos, o Princípio da Prudência é ainda uma realidade desconhecida. E o próprio Presidente da República em nada tem ajudado.
Crônicas da Frontline