18 de agosto de 2009

A lógica do óbvio...que os assessores de Cavaco desconhecem


Este mais recente episódio de "suspeição de escutas" na Presidência da República levantado por uma fonte da Casa Civil do presidente em declarações ao Jornal Público, como resposta a uma acusação do Partido Socialista de haver envolvimento de assessores do Presidente na elaboração do programa do PSD é, no mínimo, bizarra e totalmente desprovida de qualquer sentido. Não é só contrariar a lógica do óbvio (sobre a qual aqui tenho escrito) como a "esclarecida fonte" acabou por reconhecer e validar a acusação que é feita.

O PS diz que andam assessores do Presidente envolvidos em trabalho partidário e a Presidência da República vem dizer que suspeita que existem custas na Presidência... é óbvia a leitura. Caso não houvesse envolvimento nunca teria passado pela cabeça dos assessores que poderia haver escutas...

Cavaco Silva tem um sério problema para resolver. Não o das escutas!

30 de julho de 2009

Raro sentido de oportunidade

A Justiça portuguesa já nos revelou este seu condão de possuir um raro sentido de oportunidade (...). Veja-se a decisão proferida hoje de que Carmona Rodrigues e Fontão de Carvalho vão (mesmo) a julgamento. Como se houvesse outra saída. Até os menos atentos percebem que a "justificação" para a queda do Executivo Municipal da CML tinha ser ser legitimada por esta decisão. O que seria se não houvesse julgamento? Tão morosa que é a Justiça em muitos casos, tão rápida noutros, tão pontual e certeira no tempo para outros.
Mas pode ser que esta seja também uma oportunidade única para que Carlos Miguel Fontão de Carvalho revele, em sede própria, o muito que conhece da "forma como foi conduzida esta investigação pelo MP, das suas contradições e dos desfechos imprevistos". Vamos ver quem vai cair na barra do Tribunal.

27 de julho de 2009

Santana 2 - Costa 0


Já tinha deixado aqui o aviso. O desnorte parece estar a atingir o PS de Lisboa. O vídeo de Costa a desmentir Santana foi um erro em duas frentes. Primeiro quis fazer uso da propaganda para combater algo que Pedro Santana Lopes usou inteligentemente, embora no mesmo sentido de passar mensagens políticas, em entrevistas e declarações ao media. Logo o palco de combate teria de ser nesses mesmos media (um palco de maior credibilidade) e não através do recurso a instrumentos básicos de propaganda. A ineficácia desta táctica estava à vista. Tanto estava que Santana reagiu no imediato a empurrar o adversário para a mesma armadilha. E este tão bem escorregou que foi à pressa corrigir o vídeo em vez de pura e simplemente o anular (ver Expresso).

Para os lisboetas a mensagem começa a ficar clara: que credibilidade merece uma candidatura que desmente as suas próprias afirmações? Que credibilidade merece uma candidatura que não faz a mínima ideia do que o seu candidato diz publicamente? É que a parte cortada no vídeo é a que desmente o que Santana Lopes diz que afinal tinha sido exactamente o mesmo que António Costa tinha dito em declarações à televisão.

24 de julho de 2009

Instrumentos da ineficácia


Ainda há coisas que nos surpreendem vindas de onde vêm. Ou talvez não. Deparei com um vídeo no Sapo onde alegadamente António Costa denuncia as mentiras de Santana Lopes. Não percebi nem o sentido, nem o propósito, mas se é um instrumento de comunicação política orientado dentro da sua campanha, a sua eficácia é próxima do nulo. O vídeo não é mais do que uma versão contrária daquilo a que se propõe denunciar: a alegada política de propaganda de Santana Lopes. Das duas uma: ou o nervosismo já fala mais alto do que a razão ou anda alguém a dar palpites sobre matérias cuja competência também é, por assim dizer, próxima do nulo.

Pedro Santana Lopes é um político por excelência e um homem inteligente. António Costa também. O Palco para a disputa eleitoral não deve ser este. A candidatura de António Costa que não se esqueça que os lisboetas exigem respeito. Uma falha nesta matéria pode ser fatal.

16 de julho de 2009

Marketing (A)Político


Nos tempos que correm, principalmente num ano com tantos actos eleitorais, o terreno é fértil para o advento do Marketing Político, disciplina tão amada por uns, tão odiada por outros, tão necessária para todos e tão incompreendida, que Portugal deve ser dos raros países onde esta disciplina ainda não ganhou o seu devido estatuto.

E é este último aspecto que mais me preocupa e não tanto o facto de muitos responsáveis políticos deste país virem afirmar a sua recusa em alguma vez adoptarem este tipo de apoio ou aconselhamento, com medo que tal possa diminuir (perante a opinião pública) a veracidade ou credibilidade das suas promessas e compromissos políticos e eleitorais.

Por isso mesmo a distinção impõe-se. Em Portugal, temos duas grandes linhas de intervenção a este nível:
Os que fazem marketing político e reduzem a sua actuação à política do rectângulo, onde acreditam que tudo se esgota em outdoors e slogans e os que fazem Marketing (A)Político, trabalhando esta disciplina em toda a sua equação de planeamento, desenvolvimento estratégico, concretização táctica e desenvolvimento de instrumentos de comunicação, neste caso de comunicação política.

O que distingue estes dois campos de actuação e os seus respectivos protagonistas. Os primeiros – talvez os que mais abundam – esgotam-se no atrás referido primeiro modelo de comunicação e ancoram muitos daqueles (leia-se políticos) cuja fragilidade de ideias precisa de ser mascarada numa comunicação redutora, assente em plástica de imagem e ideias de grande impacto propagandístico mas sem alicerce de fundamentação. É a política do rectângulo (leia-se outdoor) e do slogan.

Os outros, os que encaram a vertente do marketing político num universo mais lato e complexo de toda a sua actuação na esfera do Marketing e da Comunicação. A vertente política assume, sem dúvida alguma, uma especificidade própria, mas não se esgota em si mesma.

Estes trabalham na base de projectos políticos consistentes e contribuem, assim, não só para clarificar a acção política na sua forma mais simples e genuína de interacção entre o representante do Poder e o eleitor, como também para cimentar a reputação de uma disciplina que, mais não seja, sofre ainda de um complexo de culpa no nosso país. Mas esse complexo não está nos estrategas nem nos consultores, está nos próprios políticos.

E essa realidade é indisfarçável.


Crônicas da Frontline

3 de julho de 2009

De vergonha em vergonha...


Mais vergonhoso que o acto "solitário" do Ministro da Economia é a vergonha da disputa entre PCP e BE na reivindicação dos destinatários do referido acto, como forma de um ensaio de protagonismo sobre quem seria responsável pela sua demissão.
Afinal, talvez o próprio PM tenha razão quando situa a acção política à sua esquerda numa redutora luta de protagonismo para conquista eleitoral caracterizada por um confrangedor vazio de ideias e propostas.
Mas mais preocupante é quando, mesmo assim, essa mesma esquerda consegue alguma expressão eleitoral.

15 de junho de 2009

Derrubar Colunas


Na mais linear tradição maçónica quando uma “loja”, a sua estrutura base de agregação, se sente incapaz de continuar a desempenhar a sua função, os seus elementos mais não fazem do que “derrubar colunas”. É um acto simbólico, cujo devir reflectirá certamente um fim ou um novo princípio, um novo começar. É um acto simbólico quando se entende que derrubar colunas significa que os pilares básicos que sustentam um fundamento organizacional são incapazes de cumprir a sua função.
Não somos necessariamente todos maçons, mas se apreendermos a profundidade da sua analogia, também compreendemos que Portugal está cada vez mais perto do colapso. Não interessa se, na realidade, a nossa sociedade está ou não está a caminhar para a ruptura. Interessa sim a forma como percepcionamos o actual momento em que vivemos e como diria o povo: “à mulher de César não basta sê-lo, há que parecê-lo”.
É verdade que a actual dinâmica de uma sociedade conduzida pela voragem comunicacional nos leva a perder o controlo sobre o que verdadeiramente acontece versus aquilo que nos é comunicado como tendo acontecido. Mas, pese embora algum exagero de intoxicação que as televisões nos provoquem e mesmo até alguma distorção factual por força de interpretações que nos são induzidas, há realidades que são imutáveis.
Uma dessas realidades é o estado de verdadeiro colapso do aparelho da Justiça em Portugal. O Pilar, na acepção maçónica, ruiu completamente e o último golpe do pedreiro foi o caso Alexandra. Para os portugueses já não está em causa se há ou não igual acesso à Justiça, se há uma Justiça para ricos e outra para pobres ou se a Justiça é demasiado lenta no nosso país.
O que os portugueses finalmente perceberam com o caso Alexandra é que o aparelho da justiça foi invadido por uma massa amorfa, mal formada, mal preparada, que esconde todas estas deficiências e fragilidades numa aplicação estrita da norma jurídica, da lei, de um quadro normativo completamente desenquadrado da realidade.
Mas a falha não está só na complexidade da realidade jurídica em Portugal. É muito mais profunda. Está no indivíduo, na pessoa, no agente, naquele que exerce autoridade. Se o pilar da Justiça está a ruir é porque dois outros pilares fundamentais já colapsaram: o da Família e o da Educação.
A revolução das elites (das poucas que ainda restam neste país) já não será suficiente. Este terá de ser o tempo da revolução “dos homens bons”. Pela força da não resignação contra esta percepção generalizada de um País à beira da ruptura que se instalou em todos nós. E não basta um juiz vir dizer que se sente incomodado com o destino que ditou à pequena Alexandra para que todos nos sintamos aliviados e esperançados que este tenha apenas sido mais um episódio isolado e exageradamente explorado pela comunicação social.
Quantos lamentos ainda teremos de ouvir dos juízes em Portugal antes de percebermos que as coisas estão efectivamente mal?

Crônicas da Frontline

13 de junho de 2009

A Grande Lata


A Grande Lata. A ideia traz-me, no imediato, duas coisa distintas à memória. Uma é uma pequena loja de tintas (onde acho que o conceito foi bem aplicado) na Charneca da Caparica onde costumo comprar alguns materiais. São gente boa e honesta. Outra, mais recente, as declarações de João Rendeiro, ex-qualquer coisa no BPP para não dizer o responsável máximo pelo colapso da instituição, a vir criticar o plano apresentado pelo Governo.

Já não sei se é preciso ter lata, uma grande lata ou não ter vergonha. Mas o que prevalece para a maioria dos portugueses é o sentimento de impunidade com que este senhor continua arrogantemente a viver neste País. Não se trata de "ferir" a presunção de inocência, mas convenhamos que há limites para tudo.

15 de maio de 2009

GPP - Global Positioning Politics


Todos os dias as maravilhas da técnica, os gadjets, uma parfenália de tecnologias rouba parte do nosso quotidiano e intrusa-se na nossa vida. Se alguns devices, como é uso agora ouvir-se são, de facto, úteis, muita coisa existe que é pura demagogia utilitária ou altiva exacerbação do ego.
Uma discussão recente, sobre a qual li algumas posições em confronto, prende-se com o Child Locater, nada mais do que um vulgar GPS aplicado a crianças. Os argumentos que tenho lido, quer contra, quer a favor, da aplicação do conceito merecem-me alguma reflexão e sou obrigado a concordar que existe validade argumental de ambos os lados desta barricada. Sensato será, talvez, deixar prevalecer o livre arbítrio de cada pai, mãe, encarregado de educação, desde que possuam toda a necessária informação para que possam avaliar, em consciência, a opção a tomar.
Mas quando corria em pensamento esta problemática interroguei-me sobre a razão pela qual este tão propagado avanço tecno-civilizacional, se é que o termo existe, nunca nos brindou, por exemplo, com um GPP – Global Positioning Politics.
Na prática, nada mais do que um GPS desenhado sobre a filosofia de Child Locater, de uso obrigatório e que nos permitisse ter uma noção exacta, online e em tempo real, sobre o que os nossos políticos e outros agentes com relevância no curso da vida da Nação, andam a fazer.
Benefícios que resultavam no imediato da aplicação do sistema:
A responsabilidade política nominal (e não partidária na lógica da diluição das responsabilidades individuais) passava a ter um peso significativo na eleição;
O nível de corrupção baixava drasticamente;
O cidadão comum começava a perceber o que verdadeiramente está por detrás da “guerra de fachada” de que a Assembleia da República muitas vezes é palco;
E mais não preciso de dizer. Cada um encontrará inputs para validar esta opção.
Quanto às questões éticas e à protecção da, liberdade individual seria uma discussão a remeter para segundo plano, talvez até irrelevante porque ética neste País é hoje já coisa rara, quase dos manuais de história, valores de outrora que nortearam os nossos avós e ainda os nossos pais…
Ou então os políticos que tivessem autorização para desligar o GPP quando chegassem a casa. O que também muito contribuiria para o bem-estar moral da Nação.

Crônicas da Frontline

13 de maio de 2009

Os JCEP do JD

Para começar devo uma desculpa ao JD por só agora ter olhado com mais atenção para o seu projecto. A minha é mais uma opinião, válida ou não, ou outros decidirão. Mas, na realidade, afazeres profissionais têm-me afastado um pouco, não só do meu blog, mas também deste nossa área da Comunicação.
Quanto ao que interessa, acho que é do interesse de todos nós que este projecto vá À FRENTE. Para mim apenas uma questão sensível. Deve ser um projecto cimentado numa plataforma de pessoas, congregando, então sim, consultoras (não gosto do termo agências) empresas, universidades, etc.

Um abraço ao João Duarte