16 de outubro de 2008

Os Avessos



Fiquei recentemente a saber que Manuel Jarmela Palos também pertence ao grupo dos avessos deste País. Neste caso ao grupo dos comunicacionalmente avessos, já que o actual Director-geral do SEF revelou que é avesso a dar entrevistas. Aliás, da referida entrevista dada ao Expresso resultam apenas dois aspectos a reter: o desaire da entrevista e o facto, este mais preocupante, desse mesmo desaire não resultar da sua condição de avesso, mas sim de uma aparente ausência de estratégia de comunicação e consequente enquadramento e aconselhamento nesta matéria.
Jarmela Palos pode ser avesso pelas razões que entender, mas o cargo que ocupa obriga-o a ter uma relação de proximidade, não só sua, como do serviço que dirige que tem, evidentemente, uma multiplicidade de públicos. Essa relação (que passa em grande parte pela relação com a comunicação social) obriga naturalmente a uma prática profissional e responsável. Nada disso revela a entrevista ao Expresso. Aliás, nesta matéria, também não se vislumbrou até hoje uma prática consolidada no que respeita, senso lato, à Comunicação por parte do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.
O que a entrevista do Director-geral do SEF nos trouxe foi um mau préstimo ao País e ao serviço que dirige. A mensagem que passa, só contribui para cimentar o clima de insegurança que actualmente se vive na sociedade portuguesa, bem como revelar, numa indisfarçável confusão, a incapacidade do SEF para fazer o que quer que seja. Naturalmente não foi isto que aquele responsável máximo quis dizer, nem tão pouco o contexto em que o disse. Não importa. O que revela é a percepção que se constrói sobre o que foi dito. E aqui entram elementos fundamentais: um bom aconselhamento em matéria de Comunicação, uma sólida estrutura na construção de argumentos com base no referencial em que a entrevista se vai situar, e uma adequada preparação da mesma.
Aparentemente tudo isto falhou. Jarmela Palos poderá sempre ser avesso a dar entrevistas. Não pode é ser avesso a construir uma boa estratégia de comunicação para o SEF, mais ainda tendo em conta a sua ampla esfera e sensibilidade de actuação.
Crônicas do OJE

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